Preservação, comportamento e inovação: a Unicamp marca presença no CBBD, em Curitiba.
O Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) marca presença na produção científica e na gestão de unidades de informação com a apresentação de trabalhos aprovados no 31º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação. O evento, organizado pela Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB), aconteceu de 13 a 17 de julho de 2026 no Centro de Eventos FIEP, em Curitiba. Com o tema focado nas bibliotecas nos limiares do Antropoceno, os debates deste ano giraram em torno do impacto das ações humanas na informação, na cultura e na ciência.
Os especialistas do SBU levaram para o CBBD relatos de experiências e pesquisas que refletem os desafios contemporâneos da profissão. Na vertente do processamento técnico e da organização do conhecimento, a servidora Maristella Soares dos Santos expôs sua pesquisa sobre representação, interação e garantia do usuário, mapeando os padrões de busca dentro do catálogo bibliográfico online institucional. Os dados revelam que os usuários esperam do catálogo a mesma correção automática e interpretação de contexto dos motores de busca comerciais, evidenciando a urgência de humanizar e flexibilizar a interação com os sistemas para, fundamentalmente, poupar o tempo do leitor. Complementando as discussões técnicas, Roberta Cristina Dal’Evedove Tartarotti conduziu uma análise comparativa minuciosa entre as versões de 1992 e 2026 da norma ABNT NBR 12676, apontando as permanências, as atualizações necessárias e os reflexos imediatos para a rotina de indexação de assuntos.
A compreensão do público-alvo e a inovação nos serviços também ganham força com o estudo desenvolvido por Francisco Tadeu Gonçalves de Oliveira Foz, Márcio Souza Martins, Rafaela Rodrigues Gonçalves e Oscar Eliel. O grupo mapeou o comportamento atual da comunidade acadêmica no ecossistema universitário, investigando os usos, os recursos disponíveis e as percepções gerais dos usuários que frequentam as bibliotecas do SBU. Francisco Foz ressalta que entender as novas dinâmicas dos estudantes e pesquisadores após tantas transformações tecnológicas é vital, pois a biblioteca moderna também precisa se reinventar.
Alinhado a essa necessidade de reinvenção e ao papel social dessas instituições, o trabalho “Bibliotecas como espaços de cultura: SimBORA, um programa de extensão universitária” foi apresentado no evento pela bibliotecária Isabella Nascimento Pereira, gestora líder da Biblioteca de Obras Raras “Fausto Castilho”. O relato reforça a importância de expandir a atuação das bibliotecas para além do suporte acadêmico tradicional, como por exemplo na mediação cultural integrada à comunidade.
O trabalho submetido pela bibliotecária Crisllene Custódio compartilhou os resultados práticos sobre a climatização de acervos bibliográficos, detalhando a implementação e os impactos diretos na preservação física dos materiais da Biblioteca Antonio Candido, do Instituto de Estudos da Linguagem. Apesar de não participar da exposição presencial dos trabalhos, Crisllene explicou que o maior desafio desse projeto é que, além dos fatores clássicos de deterioração, a preservação de acervos deve ser compreendida como um processo interdisciplinar, que envolve gestão, preservação e infraestrutura, representando um caso exemplar que serve de referência para outras instituições nacionais que enfrentam realidades semelhantes.
A participação dos profissionais do SBU denota o empenho das suas equipes com o compartilhamento de experiências e com a evolução das práticas bibliotecárias no cenário nacional. A programação completa do congresso segue disponível para consulta pública na página do evento. Confira os trabalhos na íntegra nos Anais do evento.

